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quinta-feira, agosto 24, 2017

AC Avelarense: Um verdadeiro exemplo do que é ser solidário

Durante os incêndios de Pedrógão, o Atlético Clube Avelarense mostrou ao mundo que é feito de gente humilde, mas sempre disponível para ajudar o próximo

“Vocês é que são os heróis”. A pergunta de Jorge Sousa na verdade não tem uma interrogação no fim. Os quatro árbitros que vão dirigir a Supertaça em Aveiro – Artur Sores Dias, Rui Licínio, Rui Teixeira e Jorge Sousa (vídeo-árbitro) - acabaram de estacionar à porta da sede e do campo do Atlético Clube Avelarense e sabem ao que vão: dar um pouco de si a quem deu tanto em condições tão difíceis.
A recebê-los estão algumas pessoas ligadas ao clube, como Rui Faria, Jorge Tomás, Zé Canoeiro e Fernanda Torrelhas, entre outros, que sorriem para agradecer a visita e fazem questão de lhes mostrar as modestas instalações do clube: um bar que serve de sede, balneários, um relvado sintético, e um espaço que serve de sede à secção de veteranos.
Mas tentemos imaginar o cenário ali vivido a 17 de junho: jantar de final de época num pequeno clube dos campeonatos distritais de Leiria, o AC Avelarense. Aos poucos, dirigentes, jogadores e antigos jogadores, com as respetivas famílias, começam a aperceber-se de um burburinho vindo da rua. Espreitam e o panorama é desolador: pessoas descalças, outras sem roupa, outras ainda com queimaduras a aproximar-se. Passaram cinco minutos, 10, 30, e o número não parava de aumentar. Isto no meio de um fumo intenso e de um assustador cheiro a queimado.
Quando em Avelar as pessoas começam a aperceber-se do que se passa nas freguesias vizinhas, com os relatos que chegam, abrem-se as portas do clube para todos os visitantes desesperados, uns fugidos dos incêndios de Pedrógão e dos concelhos vizinhos, outros da que ficou conhecida como estrada da morte.
O humilde estádio do Avelarense, situado junto ao local onde a estrada foi cortada, recebeu quase 300 pessoas na fatídica noite de 17 de junho, com os seus dirigentes e amigos a multiplicar-se em esforços solidários, para que nada faltasse aos visitantes. Quem ia participar num simples jantar acabou por ficar nas instalações durante cinco longos dias, já que o local se transformou num verdadeiro centro de apoio e de reunião familiar. Improvisaram-se locais para dormir, tomar banho ou fazer as refeições, num corrupio sem fim. Um frenesim de helicópteros a aterrar e a levantar em pleno relvado, camiões carregados de comida e bebida para ajudar quem nada tinha, aconteceu de tudo um pouco neste pequeno clube do concelho de Ansião. Com o que sobrou, ainda foram de porta em porta pela aldeias, oferecer refeições a quem teve medo de sair de casa, e confortar os que ainda não tinham percebido muito bem o que lhes tinha acontecido.
Hoje, três semanas depois, quem dedicou o seu tempo e o seu trabalho a esta enorme causa solidária, ainda não consegue falar abertamente sobre o assunto. Afinal, ouviram e presenciaram histórias trágicas de quem perdeu a família ou a sua casa. A iniciativa solidária da FPF, que levou quatro dos árbitros da Supertaça a Avelar, serviu para reconhecer o esforço de toda aquela gente e oferecer alguns equipamentos. Acima de tudo, para mostrar que um clube, por mais modesto que seja, pode ser um verdadeiro exemplo para o mundo. Pode não conquistar muitos títulos, mas consegue vitórias como esta, que jamais serão esquecidas e que o tornará para sempre respeitado. Jorge Sousa fez inúmeras perguntas sobre o estado de espírito destes verdadeiros heróis. Artur Soares Dias falou em nome do grupo para enaltecer todo o esforço que fizeram. Rui Licínio e Rui Teixeira partilharam os seus sorrisos e os seus abraços com aqueles que ajudaram a salvar a vida de tantos. Ninguém consegue ter um número preciso, porque nestas coisas é impossível, mas terão passado pelo Avelarense mais de duas mil pessoas.

Texto e Foto: FPF

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